21 de maio de 2010

Essa vale ler e guardar!

Busca
Cora Coralina

Tenho encontrado muitas pessoas, porém não encontro gente...
Há um vazio dentro de cada um, um processo de fechamento em sentimentos.
Encontro sorrisos, porém daqueles que expõem apenas os dentes, mas não a alma.
Encontro verdadeiras tocaias, e não corações.
Reservas insistentes da solidão.
Tenho encontrado pessoas medrosas, indecisas, escondendo-se de si mesmas.
Pessoas que dizem: "Não sei... Não sei se quero... Não sei se posso..."
Quando sabem exatamente o que querem e o que buscam, e não se arriscam ao menor impulso.
Pessoas duras, escuras, impossibilitadas de amar.
Estas, cansei de encontrar...
Busco por gente que empreste o ombro, que não tenha medo de dizer que levou um tombo.
Busco por gente que assuma que amar traz sofrer, e, com esta certeza, não venham a se esconder.
Busco por gente que tenha a experiência de sobrevivente de guerra.
Busco por gente, que de tanto caminhar, não tenha receio de dizer que seus pés ainda têm muito por machucar.
Quero gente de coragem para comigo conversar.
Gente que saiba que máscaras não dão mais para usar, e sendo seu perfil interno, branco ou preto, tenha a dignidade de revelar.
Busco por gente que chore livremente, sem preconceitos pelas lágrimas derramadas.
Quero gente que saiba exatamente para onde está indo e o que deseja encontrar, mesmo que esta busca jamais venha alcançar.
Busco por gente,"Seres Humanos", que saibam se doar, estes eu anseio por encontrar.
Gente que saiba até ferir se precisar, mas que seja valente em seu ato para não mais enganar, a quem quer que seja, e a si próprio.
Gente de decisão, sem argumento para esconder, escusas ações.
Quero gente que é gente, que mostra a cara, vai à luta e dorme contente.
É desta gente que eu preciso!
Gente liberta, que me dêem um canto em seu colo e saibam me acariciar, sem tempo, sem hora e em qualquer lugar.


Nem preciso explicar porque sou super-fã desta poetisa legitimamente brasileira. Ainda vou conhecer mais profundamente sobre sua vida e obra, enquanto isso, vou divulgando por aqui pra quem quiser!
Vale uma visita nos sites:
- Wikipédia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Cora_Coralina
- Associação Casa de Coralina - http://www.casadecoracoralina.com.br/home.html

20 de maio de 2010

CRÔNICA DA CIDADE

Vida alheia
Conceição Freitas
Por que a vida alheia nos interessa tanto? A alguns mais do que a outros. Ou dizendo de um modo mais preciso: muitos de nós se interessa demasiadamente pela vida alheia. Isso sempre me incomodou, não que eu não me interesse pelos movimentos da vida das pessoas com as quais convivo, mas o gosto extremado em saber o que acontece com a vida dos outros sempre me pareceu uma disritmia nefasta.
Há algum tempo, uma sábia amiga me alertou: o ser humano olha para o outro porque precisa medir-se a si mesmo, seja como um ato de coragem, seja como um ato de covardia. Seja para dizer: aquele humano se sai melhor do que eu nisso ou naquilo, quem sabe posso aprender com ele. Ou seja para se alimentar do fracasso alheio: eu não consegui, mas ele também não.
Outro tipo de interesse pelo que acontece com os outros que sempre me intrigou é o movimento que se segue a um acidente de trânsito ou qualquer outra tragédia em via pública: diante de um fato brutal, desses que fraturam o ritmo normal da vida, as pessoas ficam extremamente assustadas, porque são informadas, naquele instante, que é por demais perigoso viver e que todos, todos, estamos sujeitos a esses acontecimentos.
Acompanhá-los de perto é um momento de aceitar que as tormentas existem e ao mesmo tempo um consolo diante do tremor que elas deixam na alma. “Não foi comigo, que bom”. Ao fim e ao cabo, todos desconfiamos que viver é sempre estar à beira do abismo.
A abelhudice das pessoas sobre a vida das outras pessoas é um modo de lidar com a própria vida. O outro é a medida do que existe, do que pode acontecer, do que se pode fazer, do que dá certo, do que dá errado – o outro é o meu espelho.
Ninguém existe sem o outro. Precisamos do olhar do outro para conferir a própria existência.
Então, diante disso tudo, aprendi que o interesse do outro pela sua vida, ou o seu interesse pela vida do outro, pode ser nefasto ou pode ser generoso, pode te ajudar ou te atrapalhar.
Se você conseguir suportar um olhar inimigo, ele pode ter muito a te ensinar. O olhar inimigo pode te dizer coisas que um amigo não tem coragem, mas você precisa ouvir.
Tudo depende do que você faz com o que a vida te oferece.

Fonte: Conceição Freitas – Correio Web

17 de maio de 2010

Eu estou bem!

Nem adianta eu me apressar...
No trabalho está difícil, com muitas pessoas afastadas por licença médica, cada dia faço uma tarefa em um setor diferente. Fico preocupada, pois todos estamos sobrecarregados e trabalhando no limite de nossas forças. Não tenho gostado muito disso.
Meu corpo se queixa, preciso me cuidar melhor. Não me lembro qual foi a última vez que evacuei, isso significa que estou “enfezada”. Preciso beber mais água, comer mais frutas e menos massa...
O namoro parece que está seguindo seu percurso natural, finalmente estou conhecendo alguns "defeitos" do bem amado. Encontramos os pontos que não concordamos e nos atrapalhamos nos assuntos não falados, não ouvidos e muito pouco compreendidos.
Às vezes tenho a impressão que estou sozinha, se não tivesse minha psicoterapeuta, nem sei o que seria de mim. Às vezes fico cansada de lutar e tenho vontade de desistir, só que esta palavra não existe no meu vocabulário...
Os dias estão passando muito depressa! As noites estão muito curtas...
Queria dormir mais, ficar em casa, não pensar em nada e nem em ninguém...
Queria dar conta de mim mesma, me cuidar, me respeitar...
Queria não me preocupar com a opinião de ninguém, me relacionar com pessoas maduras e equilibradas que soubessem se cuidar e não se magoassem tão facilmente.
Queria pegar uma nave espacial e passar uma temporada em Marte, sem gravidade, sem responsabilidade, sem dúvida, sem medos...
Queria voltar somente quando esta TPM tivesse passado e eu pudesse ser eu mesma.
Vencedora e resiliente!
Valente e Lu Tadora!

Fonte da foto e outras coisinhas mais: http://chirlamjr.blogspot.com/2009/03/definicoes-de-tpm.html

5 de maio de 2010

Disseram que foi o Arnaldo Jabor quem disse ...

Recebi um e-mail com o texto abaixo supostamente escrito por Arnaldo Jabor. Como sempre faço, fui pesquisar na internet para confirmar a autoria, fonte, local ou periódico em que o texto foi publicado e encontrei um texto interessante publicado em: 03/11/2009 no periódico "O TEMPO. Jornalismo de qualidade" em que o próprio Jabor se queixa das barbaridades publicadas e divulgadas como sendo se sua autoria. Afirma: "Existe um “sub-eu” vagando na internet" . Achei interessante vale uma visita em:

 Blogs, twitter, Orkut e outros buracos

Lanço agora um desafio: Como saber a verdadeira autoria dos textos publicados na internet?
Mais ainda: como descobrir o autor do texto abaixo?
Como tudo na vida...
Detesto quando escuto aquela conversa: 'Ah, terminei o namoro...' 'Nossa, quanto tempo? ''Cinco anos... Mas não deu certo, acabou'' É não deu...' Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos esta coisa completa.
Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ele é malhado, mas não é sensível.
Tudo, nós não temos...
Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro...
Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante... e se o beijo bate... se joga... se não bate... mais um Martini, por favor... e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer. Não lute, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto.
Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama! Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família?
O legal é alguém que está com você por você. E vice versa.
Não fique com alguém por dó também. Ou por medo da solidão.
Nascemos sós. Morremos sós.
Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro.
Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói! Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração. Faz parte.
Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo.
E nem sempre as coisas saem como você quer...
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta...
Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
E nem todo sexo bom é para namorar.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.
Nem todo sexo bom é para descartar... Ou se apaixonar... Ou se culpar.
Enfim... quem disse que ser adulto é fácil?

27 de abril de 2010

Quem pode me responder?

Lu Tadora?


Eu te conheço muito bem, já ouvi suas histórias antes. Sempre muito dramática e passional. Parece que vive todas as emoções com a maior intensidade. Nem sei porque não consegue reconhecer seu próprio valor e nem comemora suas vitórias.
Bem vejo que você não teve tempo suficiente para se vangloriar ou aproveitar o sucesso de suas conquistas. Afinal, enquanto houver luta você estará vivendo como boa sobrevivente que é. Penso que não deveria se conformar apenas em suportar as pressões, se adaptar às mudanças e sobreviver às batalhas diárias. Você deveria olhar para si mesma e reconhecer suas competências e qualidades pessoais. Outras pessoas que estivessem no seu lugar já teriam sucumbido, desistido ou apenas abandonado a luta.
Concordo que não se dê por satisfeita com o mínimo necessário, acho justo que tenha ambição e almeje uma vida com qualidade, mas não precisa sempre ficar se recriminando pelos erros do passado e pelo insucesso nas campanhas nas quais ainda não estava preparada ou que não tinha recursos suficientes.
Não é sua culpa ter sido resultado de um “acidente”. Seus pais não estavam preparados para recebê-la e aceitá-la como era. Não se culpe por ter desejado permanecer viva num mundo inseguro e inconstante. Sua força de vida sempre foi uma qualidade única e pouco encontrada nas pessoas não resilientes.
Desejar crescer e conhecer o mundo ao seu redor pode ter sido motivação suficiente para que buscasse o próximo passo, desafio ou apenas o dia seguinte. Acordar pela manhã e buscar curiosa o significado ou função daquele ruído, cor, mecanismo...
Rastejar, segurar, erguer-se e andar em direção ao outro que não te busca deve ter sido difícil. Procurar algum olhar que te garantisse a sensação de bem-querer pode muitas vezes ter custado um esforço sobre-humano ou sobrenatural.
As palavras de derrota e crítica não puderam te deter em sua caminhada em busca do conhecimento. Mesmo nos momentos mais confusos e perdidos de sua escalada em direção à vida adulta não ficaste parada ou conformada com sua sina de ser uma humana em constante evolução.
Seu corpo por muitas vezes te forçou a dar “paradas” estratégicas. Sua carne é fraca e não suporta os intensos castigos que você mesma se infligiu à medida em que buscava se adaptar às necessidades da sua família. A sabedoria da natureza te obrigou, de tempos em tempos, a repousar sua cabeça no travesseiro mesmo que estivesse totalmente molhado por suas lágrimas silenciosas.
Justiça, proteção, amparo parecem ter sido as últimas palavras a serem incluídas no seu vocabulário. AMOR? Quatro letras que até “ontem” pareciam ser um mistério. Temos que reconhecer, sua resistência parece não ter fim, mas sua paciência às vezes até acaba. A intolerância sempre volta a te perseguir na pessoa de algum daqueles que deveriam ser seus entes mais queridos.
O mundo que te trouxe até aqui foi suficientemente interessante?
Como conseguiu manter sua curiosidade incessante?
Às vezes te cansou sua busca?
Está valendo a pena?